Valuation

    Múltiplos de valuation por setor no Brasil

    Uma empresa de tecnologia com receita recorrente pode valer 6x o EBITDA. Uma distribuidora do mesmo tamanho, 3x. Entenda por que o setor define o piso e o teto do seu valuation.

    Equipe MyDeal·25 de junho de 2026·5 min de leitura
    Múltiplos de valuation por setor no Brasil

    Múltiplos de valuation por setor no Brasil

    Uma empresa de software com receita recorrente negocia, em média, entre 5x e 8x o EBITDA no Brasil. Uma empresa de varejo físico do mesmo tamanho negocia entre 2x e 4x. Mesmo faturamento, mesmo lucro. Setores diferentes, valores diferentes.

    Isso acontece porque múltiplos refletem risco e previsibilidade, não só tamanho. Compradores pagam mais por negócios onde o fluxo de caixa futuro é mais previsível e menos dependente de variáveis fora do controle do gestor.

    Por que o setor importa mais do que o faturamento

    O múltiplo de EBITDA é um atalho prático, não o método mais rigoroso de valuation. Ele resume o que compradores pagaram em transações comparáveis e serve como referência de mercado. O método mais robusto é o DCF, que projeta os fluxos de caixa futuros e desconta pelo custo de capital. Mas a maioria das PMEs brasileiras não tem projeções confiáveis o suficiente para um DCF sólido, então o mercado recorre aos múltiplos como ponto de comparação.

    O setor entra porque ele determina dois fatores que qualquer comprador avalia antes de tudo: a taxa de crescimento esperada do negócio e a previsibilidade da receita. Setores com receita recorrente, barreiras de entrada altas e margens defensáveis sustentam múltiplos maiores.

    Quais são os múltiplos praticados por setor no Brasil

    Os números abaixo são referências praticadas no mercado brasileiro de M&A de PMEs com faturamento entre R$ 2 milhões e R$ 20 milhões. Não são médias oficiais publicadas por uma única fonte: resultam da combinação de relatórios da KPMG, PwC e ABVCAP sobre transações no Brasil, com ajuste para o segmento de pequenas e médias empresas.

    Tecnologia e SaaS: 5x a 8x EBITDA, ou 2x a 4x ARR para empresas com receita recorrente mensurável. É o setor com múltiplos mais altos porque combina escalabilidade, baixo custo marginal e churn previsível.

    Serviços de saúde (clínicas, laboratórios): 4x a 6x EBITDA. Demanda inelástica e receita relativamente estável sustentam o patamar. Risco principal: dependência de convênios e passivos trabalhistas.

    Educação: 3x a 5x EBITDA. Negócios com mensalidades recorrentes e baixo churn ficam no topo da faixa. Escolas com alta rotatividade de alunos ficam no piso.

    Serviços B2B (contabilidade, RH, consultoria): 3x a 5x EBITDA. Contratos de longo prazo e carteiras de clientes estáveis elevam o múltiplo. Negócios muito dependentes do sócio-fundador ficam abaixo de 3x.

    Varejo e alimentação: 2x a 4x EBITDA. Margens menores e maior exposição a ciclos econômicos comprimem o valor. Franquias com histórico documentado negociam melhor que operações independentes.

    Indústria e distribuição: 2x a 3,5x EBITDA. Capital intensivo, margens apertadas e ciclos longos de recebimento reduzem o apetite dos compradores.

    A MyDeal, por exemplo, usa DCF como método principal nos laudos de valuation e inclui múltiplos de mercado como referência complementar. Para uma PME com faturamento entre R$ 500 mil e R$ 20 milhões, o laudo é gerado com IA em menos de 24 horas e considera o setor de atuação, o perfil de receita e o histórico financeiro da empresa.

    O que aumenta ou derruba o múltiplo dentro do mesmo setor

    Dois negócios no mesmo setor podem ter múltiplos bem diferentes. O principal destruidor de múltiplo em PMEs brasileiras é a dependência do fundador. Se o negócio para quando o dono viaja, o comprador desconta isso no preço.

    Outros fatores que comprimem o múltiplo: concentração de receita em poucos clientes, ausência de contratos formalizados, passivos trabalhistas ou fiscais não provisionados e demonstrações financeiras sem auditoria. Empresa no Simples Nacional com DRE informal negocia em patamar diferente de empresa no Lucro Real com balanço auditado, mesmo que o faturamento seja igual.

    O que eleva o múltiplo: receita recorrente com contratos de longo prazo, time de gestão independente do sócio, carteira diversificada de clientes e histórico financeiro consistente por pelo menos três anos.

    O ambiente de juros altos no Brasil também pesa. Quando o custo de capital do comprador sobe, o valor presente dos fluxos futuros cai. Isso comprime múltiplos em todos os setores, mas penaliza mais os negócios com crescimento projetado no longo prazo.

    FAQ

    O múltiplo de EBITDA é o método certo para calcular o valor da minha empresa? Múltiplos são o método mais usado na prática para PMEs porque são simples e baseados em transações reais. Para quem tem histórico sólido e receita previsível, o DCF tende a revelar mais valor porque projeta os fluxos futuros com mais precisão.

    Minha empresa é de serviços e não tenho EBITDA alto. Tenho como melhorar o múltiplo antes de vender? Sim. Formalizar contratos com clientes, reduzir dependência do sócio-fundador e organizar o histórico financeiro dos últimos três anos são os caminhos com maior impacto no múltiplo antes de iniciar um processo de venda.

    Comprador estratégico paga mais do que comprador financeiro? Em geral, sim. O comprador estratégico considera sinergias que o comprador financeiro não enxerga, como acesso a novos clientes ou redução de custos operacionais. Isso permite que ele justifique um preço maior durante a negociação.


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    Referências

    • KPMG. Pesquisa de M&A no Brasil. Disponível em: https://kpmg.com/br/pt/home/insights.html
    • PwC Brasil. Fusões e Aquisições no Brasil. Disponível em: https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividades/fusoes-aquisicoes.html
    • ABVCAP. Consolidação de Dados da Indústria de Private Equity e Venture Capital. Disponível em: https://www.abvcap.com.br/pesquisas-e-dados/consolidacao-de-dados.aspx
    • SEBRAE. Panorama dos Pequenos Negócios. Disponível em: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/estudos_pesquisas
    • Banco Central do Brasil. Relatório de Estabilidade Financeira. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/ref
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